Goiânia em Cena por toda a cidade

Evento apresentou espetáculos em diversos pontos da capital sobre o tema (Re)Existências Poéticas

 A 17º edição do Festival Goiânia em Cena ocorreu na capital dos dias 16 a 24 de outubro. O evento teve espetáculos em diversos pontos da cidade, sendo o Teatro Goiânia Ouro e o Teatro Goiânia, ambos no centro, como pontos fixos. 

O tema da edição deste ano foi (Re)Existências Poéticas, e tinha objetivo de valorizar as artes, os artistas e os espetáculos, e por isso o ingresso de cada apresentação foi um livro que poderia ser trocado na bilheteria do Teatro Goiânia Ouro.

Tangoiania

A dupla de dançarinos de Goiânia, Tango Salão em Pauta, foi o primeiro espetáculo a se apresentar, abrindo a décima sétima edição do Goiânia em Cena. A escolha para abertura não poderia ser melhor. A apresentação de tango aconteceu no Teatro Goiânia Ouro, tirando suspiros da plateia que assistia a apresentação.

A equipe do Site Conceito nunca teve a oportunidade de assistir uma apresentação da dança e confessamos que ficamos maravilhados com o talento e a técnica dos dançarinos. O público também ficou encantado, e os aplausos foram inevitáveis.

Jogo da Verdade

A segunda apresentação do terceiro dia de festival foi a peça O Jogo da Verdade. A trama realizada pelo Grupo de Teatro Guará, no teatro Goiânia Ouro, apresentou à plateia a encenação de uma filha que se encontra com a mãe anos depois que foi doada para uma outra família. Com um forte teor dramático, o espetáculo trouxe várias reviravoltas e o público ficou espantado.

O foco da peça foi muito mais na atuação das atrizes do que nos elementos de cena, como a cenografia ou figurinos. A peça aconteceu utilizando somente duas cadeiras, prezando pelo aspecto mais minimalista e simples.

Estou sem silêncio

O terceiro e último espetáculo do terceiro dia foi a apresentação Estou sem Silêncio, do Grupo Quasar Cia. De Dança, que apresentou uma performance de corpo. O espetáculo aconteceu no Teatro Goiânia e encheu a platéia até no segundo andar.

Nesse espetáculo foi utilizado músicas e efeitos sonoros, e as dançarinas interpretavam a cena de maneiras inusitadas e chamativas. A cada música, as performistas mudaram o estilo de dança, mostrando ao público variadas desenvolturas cênicas.

À Sombra de Dom Quixote

O terceiro espetáculo do quarto dia de festival, no sábado, foi À Sombra de Dom Quixote, uma peça de sombra parecido com teatro Kabuki, estilo japonês de teatro que utiliza marionetes e luzes. Realizada pelo Coletivo Misombra, de Goiás, o espetáculo usou de fantoches confeccionados com materiais recicláveis, que após a apresentação o público teve a chance de ver de perto os elementos usados em cena. A equipe do Site Conceito ficou encantado com a simplicidade e com o efeito que as luzes e sombras foram utilizadas na composição do espetáculo.

Um ponto a ser comentado é a utilização de sons prontos na narração e conversas dos atores. Por ter formação cênica, César Raposa, uma das pessoas que faz parte da Equipe Conceito, comentou que um ator deve apresentar o máximo possível de sua capacidade, e isso inclui utilizar a própria voz ao vivo para encenar. Para ele, a peça ficou a desejar nesse ponto.

Predicativo do Sujeito

A última apresentação do quarto dia de festiva foi o espetáculo de dança Predicativo do Sujeito, realizada pelo Projeto Caixa de Memórias. O espetáculo foi uma performance corporal, com muito drama e jogos de luzes. O atores mostraram grande desenvoltura em palco, tirando os mais calorosos aplausos da platéia.

Jogo da Verdade

A quinta apresentação do quinto dia, domingo, do Goiânia em cena foi a encenação Jogo da Verdade. Criada e executada pela Zabeta Criações, o espetáculo aconteceu na frente do Teatro Goiânia, do lado de fora. O monólogo falou sobre a luta e resistência que mulheres enfrentam ao longo da história.

A atriz apresentou a encenação com extrema qualidade, mas no encerramento foi reproduzido um barulho de tiro de arma de fogo com fumaça um tanto quanto desnecessário. O Público se assustou e comentários negativos sobre o encerramento foram inevitáveis.

A invenção do Nordeste

A Invenção do Nordeste, do grupo do Rio Grande do Norte, Carmin, fechou o domingo com uma das melhores apresentações do festival. Nele foi utilizado várias linguagens cênicas, e o uso de tecnologia, como um projetor que estava conectado a um celular que gravou várias cenas.

O espetáculo mostrou de forma bem cômica e crítica a formação e surgimento do nordeste brasileiro, contextualizando os ‘vários nordestes’ existentes e abordando aspectos sócio culturais. Houve quebra da quarta parede, quando o ator conversa e interage com o público, troca de figurino no palco, e até danças.

Josefuna la gallina, puso in huevo em la cocina

A última peça do sexto dia de festival, na segunda-feira, trouxe do México o Vaca 35 Teatro em Grupo. Josefuna la gallina, puso in huevo em la cocina é uma peça que aborda com metáforas a realidade de LGBTIs e mulheres no país. A peça é toda em espanhol e utiliza elementos digitais, como projetores, e analógicos, como papelão e canetas permanentes, e até ovos. 

Por mais que seja uma atração internacional, houve falhas durante a sua execução. O projetor que mostrava a legenda das falas do protagonista atrasou constantemente e estava por trás da cenografia, impossibilitando o público de ver. Além disso, a peça tentava ser contemporânea, mas acabou ficando vaga e confusa. Em um momento o ator falava sobre um assunto e usava um tipo de linguagem corporal, e logo após trocava a atuação, tornando-a desconexa e sem uma linha contínua de raciocínio.

Sr. Will

A primeira peça do dia 22, terça-feira, foi um espetáculo de dança da Giro8 Companhia de Dança. O maior destaque da performance foi a utilização de um carrinho de controle remoto, que entrava e saia de cena trazendo elementos cenográficos, como figurinos e objetos usados durante o espetáculo. 

A apresentação contou com vários momentos, em que os atores dançavam, brigavam, comiam, conversavam e performavam no palco. Assim como o espetáculo Estou Sem Silêncio, a Giro8 trouxe para o público um compilado de performances.

infelizmente não conseguimos acompanhar a apresentação Estilhaço, em seguida do Sr. Will, pois houve atrasos e quando chegamos no Centro Cultural UFG a terceira peça já começou.

Mundo Cão

Com nudez e tom cômico, a peça Mundo Cão, da Federação de Teatro de Goiás, a FETEG, apresentou um espetáculo que brincou com os estereótipos e julgamento de corpos feitos pela sociedade. No roteiro, gordos, homossexuais e pobres contavam a sua história de vida para um demônio, que julgava-os no final. 

Considerada pela Equipe do Site Conceito como uma das melhores, a peça desnudou os tabus sociais que restringem as pessoas pelo seu tipo físico, e os atores deram um show de atuação.

Considerações finais

O festival Goiânia em cena novamente fez um excelente trabalho. Tirando alguns atrasos, o evento trouxe vários artistas que abrilhantaram o público com suas performances, e o melhor, acessível ao público.

Pelo fato do ingresso ter sido um livro, o evento incentivou a doação de livros, realizando um movimento de valorização à arte e à literatura.