Lizzo: Negra, gorda, e n.º 1 na Billboard

Com mensagens de empoderamento e amor próprio, a rapper entrou para o topo da parada de sucesso mundial.

A efervescência de mulheres no rap americano aumenta a cada ano. Esse gênero, antes dominado por homens, atualmente é representado por nomes femininos que fazem a diferença nesse cenário. Podemos citar como mães fundadoras do movimento as cantoras Lauren Hill, Missy Elliot e Lil’ Kim. Seus tentáculos influenciadores foram fundamentais para o destaque da mulher negra nesse ambiente musical. Podemos citar várias rappers influenciadas por elas, mas falaremos sobre Melissa Viviane Jefferson, conhecida como Lizzo

O terceiro álbum de estúdio de Lizzo revelou ao mainstream Cuz I Love You, lançado em 2018. Atualmente o álbum acumula mais de 1 bilhão e meio de reprodução no Spotify, com suas músicas tocando nas principais rádios dos Estados Unidos. Só no YouTube a cantora soma mais de 300 milhões de visualizações. Além disso, ela é um sucesso na internet, quebrando paradigmas e mostrando que uma mulher negra, gorda e rapper pode atingir o topo da principal parada de música do mundo: a Billboard

” Eu sei que é clichê, mas a música era literalmente meu namorado “

A rapper recentemente desbancou a parceira Cardi B, adquirindo o recorde da quarta semana consecutiva no posto de número um da Billboard Hot 100, com a música Truth Hurts. O hit lançado em 2017, após aparecer na trilha sonora da comédia romântica Someone Great, disponível na Netflix, se tornou um sucesso e elevou a rapper para o topo da parada. A música passou sucessos de nomes como Camilla Cabello, Shawn Mendes e a Billie Eilish. 

No Instagram a cantora comemorou a quebra do recorde com um texto emocionante. “Eu me apaixonei pela música aos 9 anos de idade […] Eu sei que é clichê, mas a música era literalmente meu namorado. Eu não tinha ideia de que nosso caso de amor me levaria tão longe. Se a pequena Lizzo ao menos soubesse o que ela conquistaria quando pegou aquela flauta, ou escreveu canções em seu quarto, ou forçou suas amigas a fazerem bandas […]”, comentou Lizzo.  

Twitter

Caminhada 

O sucesso da cantora faz com que a rapper seja a mais ouvida atualmente, e provavelmente você já ouviu alguma música da cantora no rádio ou em algum vídeo. Pelas letras contagiantes é possível notar uma mulher feliz consigo mesma, no entanto nem sempre foi assim. Em entrevista ao programa The Ellen Degeneres Show, Lizzo comenta sobre essa fase: eu estava chorando no meu quarto o dia todo. Eu disse: ‘se eu parar de fazer música agora, ninguém se importaria.

Apesar de estar tocando nos maiores festivais do mundo, a caminhada da cantora até o topo não foi fácil. Sua estreia começou em grandes festivais em abril de 2019, no tradicional festival Coachella. Em junho ela já cantava para um público de mais 30 mil pessoas no Glastonbury. Lizzo compartilhou o momento no Instagram com uma linda mensagem sobre como sua vida havia mudado em tão pouco tempo: “desta vez, quase 30.000 pessoas colocaram as mãos no ar e compartilharam um momento de amor verdadeiro conosco. Por favor, não desista, o mundo precisa de você”.

A garota de Detroit, nos Estados Unidos, formou-se em música na Universidade de Houston, se especializando em flauta clássica. Aperfeiçoando conhecimentos acadêmicos, lançou o primeiro álbum, Lizzobangers, em 2013. Em 2015, lançou seu segundo álbum de estúdio, Big Grrrl Small World. O sucesso chegou com o o terceiro álbum de estúdio Cuz I Love You, lançando em 19 de abril de 2019. 

Aceitação

A rapper sempre soube para o que veio. Em seus clipes, ela valoriza o corpo, usa roupas sensuais, dança e expõe seu lado suculento. Inclusive, sempre está acompanhada das suas “Big Grrls”, bailarinas plus size. Se a pequena Lizzo soubesse o quanto ela estaria influenciando uma geração e promovendo a aceitação de milhares de pessoas em 2019, ela provavelmente ficaria muito orgulhosa.

Se a pequena Lizzo soubesse o quanto ela estaria promovendo a aceitação de milhares de pessoas, ela provavelmente ficaria muito orgulhosa.

Em entrevista para o NPR, ela comentou o momento que descobriu que a cor da pele é a coisa que mais ama em si mesma. “Oh, meu Deus. Minha pele. Essa é a minha coisa favorita em mim. Foi nesse momento que percebi que danifiquei minha pele e vi o valor nela. Essa foi a primeira vez que descobri meu amor corporal, e comecei com minha pele e segui em frente”. 

A partir do descobrimento do valor da sua pele, surgiu a música My Skin, a primeira letra sobre amor próprio.

Divulgação Billboard

Em geral suas músicas falam sobre amor, aceitação, liberdade e como ser uma mulher no século 21. Lizzo canta na música Good as Hell sobre se manter firme e continuar a se amar, buscando o amor próprio dentro de si. “Ei menina, precisa chutar o balde/ Tem que respirar fundo/ É hora de focar em si mesma/ Todas as grandes lutas, longas noites que você enfrentou”. 

Os discursos da Lizzo não ficam presos às músicas, através dos shows ela usa mensagem motivadoras para empoderar seu público. Durante a performance no MTV Video Music Awards (VMA) de 2019, ela discursou sobre a importância de se sentir bem e se amar. “Estou cansada da besteira”, ela disse. “É tão difícil tentar se amar em um mundo que não te ama de volta, estou certa? Então eu quero aproveitar esta oportunidade agora para apenas me sentir muito bem. Porque você merece se sentir muito bem. Nós merecemos nos sentirmos bem!”, afirmou. 

Impacto

Ainda é cedo para somar o impacto da Lizzo na indústria, mas podemos afirmar que ela ainda vai fazer barulho, pois seu aparecimento mostrou que uma mulher negra, gorda e rapper possuiu espaço na música. A cantora está encantando o mundo e sua mensagem provoca artistas a repensar sobre como podem utilizar suas plataformas para motivar milhares de pessoas.

Ela quebra paradigmas com mensagens sobre aceitação e amor próprio. Isso a conectou a milhares de pessoas que precisam de uma referência para não desistirem dos sonhos. A militância da artista mostra o poder da mulher negra, mesmo em uma indústria sombriamente misógina. Ainda podemos esperar mais de Lizzo, mas seu impacto já é sentido.