Gaymada, resistência e união

Com treinos aos sábados, um grupo de jovens promovem treinos de queimada ao ar livre.

Quem não sente saudades da época da escola quando todos brincavam de queimada nas aulas de educação física ou após o horário escolar? Buscando reviver o espírito da brincadeira, um grupo de jovens de Goiânia promove aos sábados a gaymada, que reúne o público LGBT + e simpatizantes pelo prazer do exercício físico. 

A gaymada é um movimento presente em todo o Brasil trazido para Goiânia em fevereiro deste ano. O objetivo é reunir membros da comunidade LGBT+ e simpatizantes que não seja em ambiente de festa ou bebidas. O evento acontece no Bosque dos Pássaros, no Setor Sul, e reúne cerca de 40 pessoas. 

Os treinos são oferecidos em dois períodos, manhã e tarde, ao som de música pop para entusiasmar os praticantes e promover a brincadeira sem discriminação ou preconceitos.

Os organizadores e participantes estimulam a presença de mulheres e até homens héteros no movimento

O artista visual Pedro Fleury frequenta a gaymada desde o começo do movimento. Ele conta que a intenção é acolher e abrir os braços para as pessoas novas que aparecem toda semana para os treinos.

“Aqui é um lugar que as pessoas podem se sentir acolhidas dentro de um contexto de esporte. Todo mundo aqui fala que queria jogar queimada na escola e sofria muito bullying, porque diziam que queimada é jogo de menina. Todo mundo se encontrou nessa mesma questão aqui dentro.”

Por causa do nome ser um trocadilho com o nome gay e queimada, presume-se que os treinos são reservados à homens gays, mas os organizadores e participantes estimulam a presença de mulheres e até homens héteros no movimento. 

Para Pedro, a presença feminina é muito importante. “Temos garotas que estão com nós desde o começo e são figuras fortíssimas. Nós sempre pedimos para que todas tragam mais meninas”, pontua.

“A gente se une e está sendo muito bom, porque o movimento está crescendo”

Atualmente apenas três garotas frequentam os treinos. Umas delas é a advogada Laísa Miranda, que participa da gaymada há três meses. Segundo ela, a presença do público feminino seria muito bom, até mesmo para integrar o público feminino hétero, lésbico e bissexual de Goiânia. Além disso, através dos treinos, ela conheceu várias pessoas do meio LGBT+, e passou a se sentir mais empoderada. “A gente se une e está sendo muito bom, porque o movimento está crescendo”, diz.

Jogadores se alongando antes do jogo

Como a quantidade de pessoas nos treinos não são fixas, foi definido que, se houver até 30 pessoas, são formados dois times. Acima de 30, formam-se três times. Caso haja mais de 40 pessoas, são feitos quatro times.

“Já aconteceu da gente chegar aqui e eles terem varrido as folhas”

Os organizadores estabelecem outras normas, como arremessar no máximo até três vezes para a mesma pessoa do mesmo time. E caso a bola passe para fora da quadra, fica com ela o time que pegar primeiro, com exceção dos casos quando a bola passar do campo de reserva.

A presença dos treinos da gaymada no local também fez com que os moradores da região enxergasse a potência que o local tem para o promoção do esporte e do lazer. 

Laísa afirma que a quadra estava abandonada, descuidada, não estava pintada e largada. “A presença das pessoas jogando queimada fez com que a associação de moradores da região vissem que a quadra estava abandonada. Ver o pessoal jogando fez com que eles mandassem arrumar, pintar. Já aconteceu da gente chegar aqui e eles terem varrido as folhas.”

Por não terem nenhuma ajuda de fora, no mês de junho foi organizada uma festa junina com a intenção de comprar novos materiais e oferecer uma melhor infraestrutura para os jogadores. 

Carlos Nathan, o tesoureiro do movimento, explica que a realização da festa junina animou todos, pois foi muito bem feita e assim puderam comprar bola nova. Ele ainda comenta sobre os planos para a expansão da gaymada na cidade e a compra de novos materiais. “Estamos pensando em fazer halloween, acampamentos, confraternização de fim de ano, piquenique, participação na parada gay e no carnaval. Sempre que possível, juntar uma grana para fundos como o kit de primeiros socorros.”