Euphoria sem spoilers

Série da HBO vai além de dramas adolescentes e inova na construção dos personagens.

O American Way Of Life é a romantização ao estilo de vida americano em filmes, séries, músicas, livros e jogos. A cultura popular por muito tempo construiu essa ideologia como um exemplo de viver, embora atualmente obras mostram o desmoronamento desse lifestyle. Um exemplo é a série Euphoria, escrita por Sam Levinosa, produzida pelo estúdio A24 em parceria com HBO.  

A série protagonizada pela atriz Zendaya, conhecida pelos trabalhos nas séries da Disney e da franquia Homem Aranha. Protagonista em Euphoria, ela descentraliza seus trabalhos anteriores e abandona a imagem da adolescente perfeita, aprofundando em uma personagem problemática. A primeira temporada tem oito episódios e há uma peculiaridade: cada capítulo é focado em um personagem da série, logo eles também dividem o protagonismo da trama. 

O fato é que o público cria intimidade com os personagens. Apesar da boa atuação de Zendaya, a imagem física é posta de lado. Ela se torna apenas uma observadora, narrando a história de cada um, acompanhando a trajetória dos sete outros personagens, unindo todos no episódio final. 

Primeiras impressões

A presença marcante de um jogo de cinegrafia e edição bem elaborado faz com que Euphoria ganhe novas dimensões no que diz respeito à narração audiovisual. O dinamismo das cenas faz com que seja um dos pontos fortes da série. 

O roteiro e cronologia dos fatos é outro aspecto a ser discutido. A roteirização constrói uma narrativa empolgante, que mantém o espectador cativado a cada episódio. Euphoria é do tipo da série que causa desconforto em certos momentos, mas deixa curioso com o desenrolar da história. 

A série faz um forte apelo a caracterização dos personagens. As roupas e maquiagens extravagantes tornam cada personagem único, tornando a trama visualmente mais atraente. 

Resultado de imagem para euphoria
Internet. Personagem Jules.

Personagens

A diversidade que a série contribui para um fluxo de narrativas, distanciando dos clichês das demais séries adolescentes. Um exemplo é a participação da Hunter Schafer, Jules na série. Seu arco representa a importância do amor no processo de aceitação. Euphoria se distancia de estereótipos e desenvolve uma personagem real. A influência que ela tem com a protagonista a torna uma coprotagonista, que timidamente ganha holofotes dentro de cada história.

A história batida de adolescente não está excluída, embora os produtores conseguiram aplicar e desenvolver esses clichês. O personagem Nate, interpretado por Jacob Elordi, é um garoto branco, popular e rico, presente nas obras tipicamente adolescente norte americana. O ator se destaca pela construção do vilão que estampa o privilégio de ser homem e branco. Sua interpretação é tão convincente que consegue despertar o ódio no espectador. 

Explorando o relacionamento entre Nate e Maddy, o casal representa quanto relacionamentos tóxicos estão se normalizando entre a atual juventude.

Resultado de imagem para euphoria
Internet. Personagem Maddy.

Em outros momento cria uma quebra em estereótipos do jovem negro com o personagem Mckay, interpretado pelo Algee Smith. O personagem tira o foco do jovem que sofre racismo e apresenta um adolescente que possui outros problemas.

O foco sobre ele foge do racismo, contudo o personagem se torna uma representação de como é ser um jovem negro no sonho americano. Seu par romântico Cassie, interpretada por Sidney Sweeney, constroem juntos o casal mais realístico da contemporaneidade, mostrando como as mídias sociais influenciam nos relacionamentos atuais.

Conclusões finais

Euphoria é sem dúvidas uma das séries do ano. Atuações impecáveis com histórias que se entrelaçam faz com que a produção da obra seja única. Temáticas delicadas e sérias, como drogas e relações de poder, são abordados com o peso e sensibilidade que devem ter. Essa combinação dos atores com os assuntos trazem a tona uma realidade pouco explorada sobre o universo adolescente.

Resultado de imagem para euphoria
Internet.